Julio Urrutiaga Almada
Só voa quem de céu é feito
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Angústias
Perder o nunca tido,
isso tenho perdido.
Areias, dedos, firo,
Faro, fúria, ímpeto.
Fera envolta em linho.
Feroz, em desalinho.
Choro, quando brinco.
Brinca, meu destino.

Brinca, o que há de ser,
sem ser tudo, brinca.
Brinca o desdizer.
Brinca o revelado.
Brincando, o clandestino,
lábio inflamado.
Brinca, o que não é,
pinçado entre as sombras,
caminho não nomeado,
futuro assombra,
segundos antes, de ser passado.

02/12/2005

Do Livro dos Silêncios
Julio Urrutiaga Almada
Enviado por Julio Urrutiaga Almada em 07/11/2011
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